domingo, 14 de junho de 2009

A Cigarra e a Formiga

A Noruega, mais uma vez, dá um exemplo de civilização e planejamento sócio-econômico.

Há pouco mais de meio século, a Noruega era uma país financiado por uma economia exclusivamente extrativista, animal (pesca) e vegetal, com baixos índices de desenvolvimento humano.

Com a descoberta das jazidas de petróleo e gás natural e início da exploração/produção petrolífera no Mar do Norte na década de 1960, o país dos vikings, deixou a barbárie para se tornar uma das mais iminentes nações do mundo. Exemplo em todos os campos do desenvolvimento social.

Decerto, um país de recursos naturais escassos, com clima terrível, onde é impossível investir em agro-pecuária, os noruegueses reconheceram o potencial do petróleo. Sabedora das vicissitudes de seu território e do exaurimento do ouro negro a que tinha acesso, no longo prazo, os noruegueses foram conservadores e abriram mão de parte da lucratividade imediata para investir no futuro e fortalecer a economia interna contra os invernos fortes da economia global e para o conforto das gerações futuras.

Para tanto, criaram o Government Pension Fund, que hoje possui um patrimônio de US$ 400 Bilhões, dos quais o governo dispõe apenas 4% anuais para equilibrar as contas públicas.

Graças a este confortável colchão financeiro, a Noruega vem passando bem pelo crise econômica que assola a Europa e o mercado petrolífero, com a queda vertiginosa do barril do petróleo de um ano para cá. Não esqueçamos que este é hoje o principal recurso e sustento à caríssima política social do país.

Mesmo em meio a este inverno rigoroso, a país continuam a sustentar os desempregados da crise (10%), mantém todos os seus programas sociais e, agora, excepcionalmente, fez um saque no fundo para fazer um investimento de mais de US$ 15 Bilhões em infra-estrutura e estímulo à economia.

Agora, pensando ao contrário, o que fizeram os outros países desenvolvidos?
Criou uma economia irreal, baseada na especulação, e estão naufragando. São as cigarras, que no auge da festa cantarolavam, enquanto a formiga guardava parte da sua comida e trabalhava para criar recursos, se precavendo dos rigores do inverno.

E o Brasil?

Bem, o Brasil está passando bem pela crise, ok. Mas, graças ao seu mercado consumidor em ascensão, por conta de um povo analfabeto cultural, que é barato e se ilude com as promessas de uma vida melhor na colônia, sempre na expectativa.

Como antes aconteceu, nossos portos estão abertos para o ingleses, e as pernas também.

E se pararmos para pensar nos tais royalties do petróleo e do gás natural.

Como em tudo o que compõem o erário brasileiro, grande parte das verbas recebidas a título de participações governamentais (royalties e participações especiais) vem sendo desviada ou gasta sem controles efetivos e resultados sociais práticos, senão para financiar a farra política e a manutenção do coronealismo tupiniquim.

O povo brasileiro não é formiga, é o pulgão, aquele parasita que suga das plantas o néctar, e que é escravizado pelas formigas. Ele passa a vida trabalhando. As formigas lhe dão apenas alimento para continuar trabalhando, enquanto elas reservam seus recursos e ficam com todo o lucro de sua produção.

Nestas horas, penso que ser colônia é parte da saga brasileira.

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